Primeira Reunião com Advogado de Divórcio – Advogada Especialista Explica
A decisão de procurar um advogado de divórcio raramente acontece em um momento tranquilo. Na maioria das vezes, ela surge em meio a dúvidas, inseguranças e sentimentos contraditórios. Muitas pessoas chegam ao escritório sem saber exatamente o que perguntar, o que contar ou até mesmo se já estão prontas para dar esse passo.
Essa primeira reunião costuma gerar ansiedade. Afinal, para grande parte das pessoas, trata-se do primeiro contato com um processo de divórcio. É um território novo, cercado de incertezas jurídicas e emocionais.
Justamente por isso, a forma como essa conversa inicial acontece faz toda a diferença. Quando o cliente chega minimamente preparado, a reunião se torna mais produtiva, mais esclarecedora e muito mais estratégica.
Ao longo deste texto, explico como funciona essa primeira reunião, qual é o papel do advogado nesse momento e compartilho orientações práticas para que esse encontro seja realmente útil para você.
Por que a primeira reunião com o advogado é tão importante?
A primeira reunião não é apenas um momento para “entender preços” ou “saber quanto tempo o divórcio demora”. Ela é, na verdade, o ponto de partida para organizar informações, alinhar expectativas e evitar decisões precipitadas.
Nesse encontro inicial, o advogado:
- compreende o contexto familiar e patrimonial,
- identifica riscos e pontos sensíveis,
- esclarece como a lei se aplica ao seu caso,
- orienta sobre caminhos possíveis,
- ajuda a reduzir inseguranças que muitas vezes são desnecessárias.
Por outro lado, quando a reunião acontece de forma desorganizada, com informações incompletas ou expectativas desalinhadas, o cliente sai com mais dúvidas do que respostas.
Por isso, preparo e clareza fazem diferença desde o primeiro contato.
O primeiro ponto que você precisa deixar claro ao advogado
Esse é, sem dúvida, o ponto mais importante da primeira reunião.
Muitas pessoas chegam ao escritório acreditando que precisam “decidir tudo” antes de falar com um advogado. Na prática, acontece o contrário. O advogado precisa saber em que estágio emocional e decisório você está para oferecer a orientação adequada.
Existem dois cenários muito comuns:
- Pessoas que já decidiram se divorciar e querem entender como conduzir o processo.
- Pessoas que ainda estão em dúvida e buscam uma consultoria preventiva para compreender consequências, riscos e possibilidades.
Nenhuma dessas posturas é errada. O problema surge quando isso não é comunicado de forma clara.
Quando o advogado entende o seu objetivo, ele ajusta a condução da reunião. Em um caso, foca em estratégia e encaminhamentos. No outro, foca em esclarecimento, prevenção e organização de cenários.
Ser transparente nesse ponto torna a consulta muito mais eficiente.
A reunião não é um interrogatório (e você não precisa saber tudo)
Um erro comum é acreditar que, para ir ao advogado, é preciso levar todas as informações perfeitamente organizadas. Isso não é verdade.
A função da primeira reunião é justamente mapear o caso. Ainda assim, quanto mais dados você conseguir apresentar, melhor será a análise inicial.
Por isso, vale a pena separar algumas informações básicas antes da consulta.
Informações essenciais para levar à primeira reunião
Antes de entrar nos detalhes específicos, é importante entender que, como mencionei, a primeira reunião não exige uma organização impecável, mas sim informações básicas que ajudem o advogado a compreender o contexto da relação. Esses dados permitem uma análise inicial mais precisa e evitam suposições que podem comprometer a orientação jurídica.
Dados sobre o casamento ou a união estável
Essas informações ajudam o advogado a entender o enquadramento jurídico da relação:
- data do casamento,
- regime de bens adotado,
- existência de pacto antenupcial,
- se o casal ainda reside no mesmo imóvel.
Mesmo que você não saiba todos esses dados com precisão, leve o que tiver. A ausência de uma informação não inviabiliza a consulta.
Informações sobre filhos
Quando há filhos, o olhar jurídico se amplia. É importante informar:
- quantos filhos existem,
- idade de cada um,
- se são menores ou maiores de idade,
- se há filhos de outras relações,
- como funciona atualmente a rotina familiar.
Esses dados ajudam a compreender temas como guarda, convivência e pensão alimentícia, ainda que nada precise ser decidido naquele primeiro momento.
Panorama patrimonial do casal
Não é necessário apresentar documentos detalhados na primeira reunião, mas é importante ter uma visão geral do patrimônio.
Por exemplo:
- imóveis,
- veículos,
- empresas,
- investimentos,
- aplicações financeiras,
- dívidas relevantes.
Mesmo uma descrição aproximada já permite ao advogado identificar possíveis pontos de atenção e orientar de forma mais realista.
Informações profissionais e financeiras
Outro ponto relevante envolve a realidade profissional dos cônjuges:
- formação,
- atividade exercida,
- renda aproximada,
- se alguém depende financeiramente do outro,
- se há empresa familiar ou atividade conjunta.
Essas informações impactam diretamente discussões sobre pensão, partilha e organização financeira após o divórcio.
Se você não souber tudo, não há problema
É importante reforçar: não saber responder a tudo não invalida a consulta.
A primeira reunião não exige perfeição. Ela exige sinceridade. O advogado ajuda a identificar o que falta, orienta sobre como obter documentos e organiza as próximas etapas.
O mais importante é não omitir informações relevantes por receio ou vergonha. O advogado precisa conhecer a realidade do caso para orientar com segurança.
Exponha suas maiores preocupações logo no início
Outro ponto essencial para uma boa reunião é deixar claro, desde o começo, qual é a sua maior preocupação naquele momento.
Muitas vezes, o cliente chega com uma angústia específica, mas passa boa parte da consulta falando de detalhes secundários. Quando isso acontece, o ponto central acaba ficando em segundo plano.
Alguns exemplos comuns de preocupação são:
- medo de perder bens,
- receio em relação aos filhos,
- insegurança financeira,
- dúvidas sobre sair de casa,
- temor de conflitos judiciais longos.
Em muitos casos, essas preocupações são maiores do que o problema real. Uma única conversa bem conduzida já é suficiente para trazer tranquilidade.
Em outros casos, a preocupação faz sentido, e o advogado passa a orientar com mais cautela e estratégia.
De qualquer forma, falar sobre isso logo no início ajuda a direcionar a reunião.

Expectativas irreais também precisam ser ajustadas
Outro papel importante da primeira reunião é ajustar expectativas. Muitas pessoas chegam ao advogado com ideias formadas a partir de relatos de amigos, conteúdos das redes sociais ou experiências isoladas de terceiros. No entanto, essas referências nem sempre refletem a realidade jurídica do seu caso. Cada divórcio possui características próprias, que dependem da lei, da interpretação dos tribunais e, principalmente, das circunstâncias concretas da relação.
Nesse contexto, o advogado ajuda a organizar essas percepções, separando aquilo que a legislação efetivamente permite, o que a jurisprudência costuma admitir, o que é viável na prática e o que tende a gerar conflitos desnecessários ou desgastes evitáveis. Esse alinhamento inicial é fundamental para reduzir frustrações futuras e permitir que o cliente tome decisões mais conscientes, realistas e juridicamente seguras.
Divórcio consensual ou litigioso: manifeste sua preferência
Ainda que o relacionamento esteja desgastado, é importante dizer ao advogado como você gostaria que o processo fosse conduzido.
Muitas pessoas acreditam que, se o clima está ruim, o litígio é inevitável. Nem sempre é assim.
Quando o cliente manifesta preferência pelo divórcio consensual, o advogado avalia a viabilidade jurídica e estratégica dessa via. Em muitos casos, é possível conduzir o processo com diálogo, mesmo diante de dificuldades emocionais.
Por outro lado, há situações em que o litígio se mostra necessário para garantir segurança jurídica. Essa avaliação só é possível quando há transparência desde o início.
O advogado não decide por você — ele orienta
É importante compreender que o advogado não impõe decisões. Ele orienta, esclarece riscos e apresenta caminhos possíveis.
A decisão final é sempre do cliente. A primeira reunião serve justamente para oferecer informações suficientes para que você possa decidir com mais clareza, menos medo e maior previsibilidade.
O que você não precisa fazer antes da primeira reunião
Para encerrar, é importante esclarecer alguns pontos que costumam gerar ansiedade desnecessária antes da primeira consulta. Você não precisa ter todas as decisões tomadas nem chegar ao advogado com tudo definido.
Também não é necessário confrontar o outro cônjuge antes da reunião ou iniciar conversas difíceis sem orientação prévia. Da mesma forma, não é preciso reunir toda a documentação ou organizar cada detalhe do patrimônio antecipadamente. E, sobretudo, você não precisa iniciar o processo imediatamente após a consulta.
Conclusão
A primeira reunião com um advogado de divórcio é um momento de organização, esclarecimento e cuidado. Quando bem aproveitada, ela reduz inseguranças, evita erros e ajuda a construir um caminho mais consciente para uma fase que, por si só, já é desafiadora.
Preparar-se minimamente, ser transparente sobre suas dúvidas e expectativas e confiar na orientação técnica faz toda a diferença.
O divórcio não precisa começar com conflito. Ele pode começar com informação, planejamento e responsabilidade.
Advogada Especialista em Divórcio Consensual
Anna Luiza Ferreira é advogada especialista em divórcio consensual com inúmeros cursos de especialização e com vasta experiência em conduzir casos de divórcios consensuais com harmonia e agilidade.







